Juro em Alta no Mundo e no Brasil
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No final do mês de julho, o comitê de política monetária do FED (Banco Central dos Estados Unidos) surpreendeu o mercado com uma comunicação confusa e mal calibrada, deixando dúvidas sobre a sua determinação em tomar as medidas necessária para a manutenção da inflação em patamar adequado. A reação dos investidores foi imediata e as taxas de juros dos títulos do Tesouro norte-americano, de longo prazo, subiram com força. Esse movimento se propagou para o juro global, revertendo parte do alívio observado nos meses anteriores e reforçando a expectativa de incerteza monetária à frente. Na Europa, uma das poucas regiões em que a inflação estava na meta definida, antes do conflito no Oriente Médio, o juro básico também está subindo. Além disso, no Japão, o BC sinalizou um processo de alta das taxas.
O episódio reforça o ponto de que o mercado tem se mostrado pouco tolerante aos ruídos, nos bancos centrais, sobretudo em um ambiente em que a inflação global ainda não está ancorada e a dívida pública segue elevada nas principais economias. Comunicação e credibilidade voltaram ao centro do debate, ao lado do risco da sustentabilidade fiscal.
No Brasil, a alta do juro global se somou aos estímulos fiscais típicos de um ano eleitoral, mantendo o juro doméstico em patamar restritivo. O movimento ocorre em um momento paradoxal, já que os dados mais recentes de atividade começam a sinalizar perda de vigor da economia brasileira. Ou seja, o custo do dinheiro sobe justamente quando a economia dá os primeiros sinais de desaceleração, o que tende a aprofundar a divergência entre juro real elevado e um crescimento mais fraco adiante.
No campo geopolítico, a instabilidade permanece elevada. O foco de tensão no Oriente Médio, as incertezas comerciais entre as principais potências e os choques de oferta continuam a operar como pano de fundo, mantendo os prêmios de risco em níveis superiores aos observados no início do ano.
Apesar desse ambiente mais desafiador para o juro, o mercado de crédito privado no Brasil se manteve como um dos destaques positivos, seguindo a trajetória construtiva dos últimos meses, com boa demanda por parte dos investidores e carrego elevado. Dado a alta inadimplência geral no Brasil, a preferência continua sendo por títulos com grau de investimento e por FIDCs lastreados com ativos de mercados específicos.
Ainda no mercado de crédito, os títulos negociados em IPCA+ continuam sofrendo, em função da constante oferta primária por parte de empresas privadas e da exaustão do bolso dos investidores institucionais e pessoas físicas. A isenção tributária em diversos títulos atrapalha a formação do custo de capital no país, os além dos fundos de pensão de um mercado típico e, como era de se esperar, atingiu o Tesouro Nacional, que não consegue mais vender seus títulos, devido a concorrência com as alternativas isentas de imposto. Esse é uma das prováveis áreas em que o novo Governo deverá agir e tomar alguma medida de alinhamento dos impostos cobrados.
Já as bolsas globais continuaram performando bem, mesmo diante do juro mais alto e dos riscos geopolíticos latentes, sustentadas pelo apetite ao risco e pela força contínua das teses de tecnologia e inteligência artificial.
Em nossa alocação estratégica, além da preferência por alocação doméstica em juro indexado ao CDI, estamos diminuindo a exposição à ações globais. Apesar da animação e após um 1º semestre bastante positivo, consideramos prudente reduzir nossa posição nas grandes empresas de tecnologia e avaliarmos o impacto desse cenário de guerra permanente e maior restrição monetária global. Continuamos acreditando na força da IA como fator de ganho de produtividade, sendo que, nossa dúvida é avaliar e precificar melhor quais segmentos e empresas irão ganhar valor nesse cenário.
Abaixo elaboramos esses temas com maior profundidade.
Boa leitura!!




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