Dominância do Conflito e Impactos nos Preços
- há 17 horas
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O conflito no Oriente Médio vai deixando de ser apenas um risco geopolítico e passa a ser o principal vetor macroeconômico global. A restrição ao fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz derrubou a oferta mundial de petróleo e gás, além de manter o preço do Brent em patamar muito elevado.
O impacto central tem sido a reprecificação do binômio inflação x crescimento. O choque de energia elevou custos de transporte, combustíveis, fertilizantes e cadeias industriais, ao mesmo tempo em que aumentou a incerteza e apertou as condições financeiras. O FMI e a OCDE divulgaram cenários com crescimento mundial mais fraco, cuja gravidade depende da duração da guerra e da normalização, ou não, do fluxo no estreito de Ormuz.
Nos mercados financeiros, abril foi marcado por sinais mistos. Ações globais recuperavam suas perdas quando surgiam notícias de cessar-fogo ou negociação de abertura no Estreito de Ormuz, mas petróleo, juro e moedas continuaram refletindo uma elevação no prêmio de risco. As correlações tradicionais ficaram menos confiáveis, com o ouro não funcionando como hedge, o dólar oscilando entre busca por segurança e preocupação com inflação, e o juro global reagindo, tanto ao risco recessivo, quanto ao risco inflacionário.
A dúvida relevante é se estamos diante de uma inflação de choque, temporária, ou de uma estagflação global. Por enquanto, o cenário ainda parece mais próximo de um choque inflacionário de oferta, com energia mais cara, inflação corrente pressionada e bancos centrais mais cautelosos. Entretanto, a possibilidade de uma estagflação está ficando mais alta. Caso o conflito permaneça por tempo prolongado, com o preço do petróleo persistentemente acima de US$ 100–120, possibilidade de racionamento de energia, queda de confiança dos agentes do mercado e do investimento, o choque deixará de ser transitório e passará a contaminar salários, expectativas e a atividade econômica.
Para o Brasil, o efeito é ambíguo. Como produtor e exportador de petróleo e commodities, o país se beneficia parcialmente dos preços mais altos e de um maior fluxo para países emergentes. Por outro lado, combustíveis e alimentos mais caros pressionam o IPCA, reduzem a renda real e dificultam o ciclo de queda da Selic. Em abril, a inflação brasileira veio menos ruim que o esperado no IPCA-15, mas com deterioração dos núcleos. Esse cenário adia o alívio monetário esperado e agrava a queima de caixa das empresas, que trabalham com juro alto há muito tempo.
Assim como em vários países, o governo brasileiro também usará receitas extraordinárias do petróleo para compensar cortes tributários sobre o preço dos combustíveis.
Em síntese, abril consolidou um regime de mercado dependente da duração do conflito.
A seguir, elaboramos sobre a política macroeconômica mundial e brasileira.
Boa Leitura!




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