Estagflação a caminho?
- 3 de jun.
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O conflito no Oriente Médio segue como o principal vetor macroeconômico mundial, influenciando o preço de quase todos os ativos financeiros. No entanto, durante o mês de maio, observamos sinais de arrefecimento das tensões e perspectivas mais concretas de um acordo diplomático. Como consequência direta dessa distensão, o preço do barril de petróleo cedeu cerca de 17% em maio, sendo negociado abaixo dos US$ 100.
Apesar do ligeiro respiro no juro futuro ao redor do mundo, impulsionado pela queda do petróleo e pelo potencial cessar do conflito, o cenário de longo prazo segue desafiador.
Consolida-se cada vez mais a visão de que o ciclo de cortes de juros globais chegou ao fim, influenciado por uma inflação iminente. O mercado passa a precificar a probabilidade crescente de um cenário de estagflação e, caso a atual conjuntura se prolongue, com riscos de uma queda relevante da atividade econômica global projetada para 2027.
Nas bolsas globais, o apetite ao risco manteve-se forte nas ações de tecnologia, que registraram forte valorização nos últimos meses, lideradas pela tese contínua de crescimento da demanda e novos investimentos em inteligência artificial (IA) e semicondutores (chips), que seguem atraindo fluxos robustos de capital dos investidores.
Nesse contexto, os índices Nasdaq e Nikkei despontaram como os principais ativos de destaque no mundo, refletindo o otimismo estrutural com a inovação tecnológica e batendo recordes de alta.
Em contrapartida à euforia externa, o Ibovespa sofreu uma forte correção, cedendo mais de 7,2% no mês, penalizado pela reprecificação da curva de juros. Os agentes de mercado passaram a embutir, nos preços dos ativos de risco, uma manutenção mais prolongada da taxa Selic em patamares restritivos, refletindo cautela com o quadro fiscal e inflacionário local.
No Brasil, além da pressão via aumento do preço do combustível, o impulso fiscal imposto pelo Governo está mantendo a inflação em alta, mesmo considerando que o ciclo econômico indicaria retração dos gastos e do consumo. Investidores se mostram mais preocupados com os riscos para o período pós-eleitoral, quando teremos dívida alta e atividade econômica mais fraca.
Nesse ambiente, o mercado de crédito privado aliviou em maio e foi uma das classes de ativos com melhor performance no mês.
Abaixo elaboramos esses pontos com mais profundidade, inclusive com breve análise do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado pelo Banco Central na última semana de maio. Além disso, explicamos o porquê da inflação de alimentos estar acelerando no Brasil e a inflação do software nos EUA.
Boa leitura!




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