top of page

MÍDIA NEWS

Bancos Centrais Alinhados e Desafios Fiscais a Frente.

Carta da gestão Panamby Capital - Dezembro 2023 Foram marcantes os erros das previsões econômicas do início de 2023 para cá. Do ponto de vista dos preços dos ativos financeiros, 2022 foi um ano muito ruim. Por outro lado, 2023 foi muito bom e acima do esperado no início do ano.


Uma das explicações para os erros pode ser atribuída à imprevisibilidade de eventos globais, os chamados sustos, que ao que tudo indica, demonstram uma probabilidade alta de continuarem no radar. Além do inesperado, qual a agenda e quais são os grandes eventos que podem trazer turbulência adicional ao que já está na conta para no ano que se inicia?


2024 será o ano das eleições. 4 bilhões de pessoas em 70 países terão direito a votar e, ao invés de ser o espetáculo da democracia, o receio é a possibilidade de instabilidade em alguns eventos.


Já na 2ª semana de janeiro, dia 13, haverá eleição nacional em Taiwan e, não só o resultado, mas também os discursos serão determinantes na condução das relações internacionais do país. A relação entre US e China começa esse ano bem melhor que no ano anterior, onde se falou até em guerra, mas é um ambiente com pouca margem de manobra para erros.


Haverá eleição também no Mexico e na India, dois países que estão se destacando na geopolítica, mas não devem trazer grandes novidades nos resultados das urnas. Entretanto é importante acompanhar a reafirmação ou eventuais mudanças nas políticas externas desses países.


Como era de se esperar, a eleição americana é o foco principal e, em particular, como seu resultado afetará as relações globais. A polarização das propostas dos dois mais fortes candidatos demonstra caminhos muito opostos em assuntos como guerra, acordos internacionais, liderança global, globalização do comércio, entre vários outros pontos relevantes. A insegurança jurídica em parcerias e em contratos de longo prazo já está aumentando e, como o risco faz parte da estrutura de custo de qualquer empreitada, significa uma pressão de custos adicional pelas próximas décadas. A redução do crescimento do comercio globalizado em troca de uma produção “mais próxima de casa”, ou em terreno amigo, também encarece a produção, afinal de contas, a ideia da globalização é produzir onde for mais barato. Um dos poucos tópicos que une os candidatos americanos é no protecionismo, que tem o mesmo viés antiprodutivo e que, adicionado ao maior risco legal e uma menor globalização, tornam o ambiente produtivo global mais inflacionário no médio prazo.


Apesar de a eleição americana ser em novembro, já em março/abril teremos as primárias e a tendência é que o candidato Republicano indicado, na prática, imponha o ritmo dos trabalhos do partido a partir daí, iniciando um período de campanha eleitoral de 7 meses. Nesse período poderemos ver uma paralisação das discussões onde há divergência entre os dois partidos, que são a maior parte e as mais relevantes questões. Para um país que roda a um déficit fiscal de 7% a.a., justifica respirar fundo e acompanhar a rolagem da divida em títulos americanos, que será em torno de US$ 2,9 tri em 2024.


Dessa forma, no médio prazo, teremos um ambiente mundial menos eficiente para a economia, com mais protecionismo e, no curto prazo, instabilidade no epicentro da maior e mais dinâmica economia global. O EUA continua a ser o grande vencedor, acumulando 25% do PIB do globo, 9 entre 10 das maiores companhias de tecnologia e a moeda hegemônica, entre outros aspectos.  Apesar disso, as pesquisas de opinião pública mostram desânimo e queda na confiança da população americana. Especialistas justificam esse fato pela desigualdade social e na distribuição dessa riqueza construída. Seja como for, a eleição nos EUA será determinante em diversas formas e é importante acompanharmos bem de perto.

Em suma, a economia mundial demonstrou enorme resiliência diante de choques e dos desafios recentes, não esperamos alta do juro básico por parte de nenhum BC em 2024, mas os riscos de instabilidade na atividade econômica continuam. A inflação voltou após o hiato da década passada e, nesse sentido, parece um retorno às condições mais normais. Afinal, é melhor combater inflação que deflação, mas mesmo com a forte queda em 2023, os índices de preços ainda são altos. Além disso o mercado de trabalho está apertado, existe um aumento de demandas salariais e da força sindical em regiões importantes, com dívidas altas tanto no setor público, quanto no privado. Muitos pratinhos para equilibrar junto ao tal risco geopolítico, mas os participantes do mercado iniciam o ano com a certeza do pouso suave da economia global.


O ano passado foi mais quente que se tem registro, a India ultrapassou a China como nação mais populosa, na COP28 houve marcos importantes e o Brasil deverá se preparar para ser o anfitrião da COP30, em 2025.


Se houve um grande vencedor em 2023, esse foi a AI - Inteligência Artificial. Não só justificou a forte alta no preço das ações das 7 maiores empresas de tecnologia norte americanas, como está se consolidando como uma ferramenta real, participando do dia a dia das empresas e das pessoas, com todo o risco e cuidado que inspira.


AI continuará a se expandir em tamanho, processamento, volume de dados e uso em aplicações reais, com o crescimento do poder computacional. Nesse sentido, o debate regulatório se intensificará. A importância da regulação vai desde questões relacionadas à privacidade pessoal, como direitos autorais e a propriedade intelectual, além do impacto em várias indústrias e mercados atuais, bem como na substituição do trabalho de mais baixa qualificação.


Na sequência de nossa Carta detalhamos a evolução recente na economia, nos mercados e nos ativos.

 

Boa leitura e um Grande Ano Novo!!


Carta_Panamby_DEZ_23
.pdf
Fazer download de PDF • 1.72MB




Comments


bottom of page