China se firmando como referência global. Será que os fundamentos começaram a aparecer nos EUA?
- enricoballarati
- 5 de ago.
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Após a WWW II, Breton Woods e tal, a configuração global foi desenhada em torno dos EUA, o que tem sido enorme vantagem competitiva à economia e à política internacional norte-americana. A forte institucionalização, “rule of law” e a consistência da política econômica vêm reforçando a hegemonia do US Dollar e a influência que moldou as relações internacionais.
A partir dos sinais recentes de perda desses atributos, mais a credibilidade comprometida e a destruição da relação de confiança construída entre os parceiros, os EUA está entregando o futuro da influência internacional de bandeja aos novos entrantes, tais como, e em particular, aos Chineses. Isso em troca da lei dos mais fortes, o que deve favorecê-los, até o surgimento proporcional de nova concorrência.
Apenas para lembrar, vários países e regiões pedem uma nova ordem mundial há décadas.
Entretanto os EUA se mantiveram como a locomotiva econômica global, exercendo sua influência ao redor de globo e em diversos conflitos domésticos de outros países ou regionais. Por mais surpreendente que seja, nesse momento, os EUA aparentam renunciar à hegemonia erguida nesses últimos 100 anos.
Do ponto de vista mais econômico, a administração Trump brigou com o mundo inteiro para fazer uma alta de impostos aos americanos. Imposto regressivo. Aumento de tarifas resulta em alta de custos para a população, mas poderá ser compensada, em parte, pela redução da carga tributária vinda da recém aprovada lei orçamentária. De qualquer maneira, o que está em desenvolvimento é um choque de oferta e a resultante parece ser similar e típica desse tipo de evento, ou seja, mais inflação e menor crescimento econômico.
Nesse turbilhão, o Governo Lula recebeu um adversário de presente, permitindo impulsionar sua popularidade, que andava nas mínimas. Mais um argumento sinalizando que a eleição em 2026 será disputada e acirrada. Um pleito que será decidido nos detalhes e por pouca margem tende a ser caro. Portanto, não se deve contar com temperança nos gastos públicos nos próximos meses. O arcabouço não importa mais e com a manutenção do impulso fiscal, o relevante é que a dívida continuará crescendo e a inflação seguirá pressionada.
Dessa forma, iniciamos o mês de agosto com expectativa de queda nos preços dos ativos americanos. A performance do emprego nos EUA foi muito ruim nos últimos meses e somente agora o mercado está percebendo isso, com o anúncio dos indicadores sendo revisados para baixo. A média móvel trimestral de criação de postos de trabalho está na mínima desde 2021, indicando que o estrago já havia começado meses atrás.
Continuamos sugerindo alocação em ativos de curto prazo e a busca por liberdade de atuação, caso a turbulência cresça.
Boa leitura!!
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