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MÍDIA NEWS

Nem hard nem soft landing. A economia americana não desacelera.




Carta da gestão Panamby Capital - Março 2024


Se a desinflação no mundo está sendo influenciada pela queda dos preços de grãos e algumas commodities, é natural que haja certo sincronismo nesse fator do ciclo econômico global. Portanto, inflação em queda, com núcleos mais resistentes, também têm efeito sincronizado. Da mesma forma, o emprego que, mesmo não sendo um serviço comercializável, parece seguir a tendência em paralelo.


A força da economia americana é a principal surpresa do ano e a tão aguardada desaceleração da atividade é postergada, sempre para o próximo período. No cenário doméstico, a economia já não mostra a mesma pujança da estadunidense, porém observamos sinais de resiliência na atividade local. O setor de serviços se destaca em ambas as regiões, sendo inflacionário e desafiador para os bancos centrais cumprirem seu papel, de retornar a inflação para as respectivas metas. Ambas as nações passaram por processos desinflacionários sincronizados e encontram-se agora em um momento de cautela para direcionar os investidores para os próximos passos.


Mas o sincronismo do Brasil com EUA não vai muito além disso. Os americanos estão na vanguarda tecnológica, tirando muito proveito da dedicação e enorme alocação de recursos em pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias. As empresas americanas avançam e se distanciam dos seus competidores e, ao contrário da bolha da internet nos anos 2000, os produtos de Inteligência Artificial já são monetizados e trazem aumento da produtividade à economia.


Outra semelhança entre os dois países é a forte expansão fiscal. Quando o gasto do Governo é estimulativo, a taxa de juro neutra tende a subir. Talvez por isso, ouro, ações e ativos que se beneficiam da inflação, tendam a continuar se valorizando. A alta da bolsa americana vem tornando as condições financeiras cada vez mais favoráveis a sociedade americana, o que empurra na mesma direção, de mais inflação e juro mais alto.


Portanto, hoje existem muitas razões para o ciclo econômico estar diferente. O agravamento e a propagação das guerras são os eventos mais recentes e o risco de conflitos geopolíticos está aumentando. Antes disso, nos últimos 25 anos, tivemos uma série de eventos que mantiveram o juro em baixa nas principais economias do mundo. A partir daí, a frequência de choques aumentou, com o boom da internet, boom de commodities, oferta de produtos chineses, a crise financeira de 2008 (GFC) até o Covid, em 2020. A inflação ficou comportada no início desse período e depois, cresceu o risco de deflação. Esse cenário conspirou a favor do juro baixo, tanto nominal quanto real.


Avaliando o cenário atual, o ambiente é de menor globalização, mais insegurança jurídica e fortes oscilações na oferta e no preço dos ativos e produtos. Isso também justifica a elevação da taxa de juro neutra. Se isso ainda é pouco, no pós-covid as dívidas cresceram, tanto no setor público quanto no privado, ou seja, a demanda por capital subiu e, quando a demanda por um bem sobe, o preço tende a aumentar também.


Dessa forma, é razoável supor que a taxa de juro neutra nos EUA está em torno de 2% e no Brasil, em torno de 6%, alinhadas ao cenário macroeconômico global.


Boa leitura!!


Carta_da_Gestão_Março_2024 (1) (1)
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